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Solidão x solitude: quando estar só pesa — e quando pode ser uma escolha

8 de set.
2 min de leitura

Estar sozinho nem sempre significa sentir-se só.


Em alguns momentos, a ausência de outras pessoas pode ser vivida como um espaço de descanso, liberdade e encontro consigo mesmo. Em outros, o silêncio pode trazer uma sensação profunda de vazio, desconexão ou abandono.


É nesse ponto que podemos pensar na diferença entre solidão e solitude.


Solidão costuma estar relacionada à experiência de sentir falta de conexão. Podemos estar cercados de pessoas e, ainda assim, experimentar uma profunda solidão. Ela não depende necessariamente da quantidade de relações que temos, mas de como nos sentimos nelas.


Há uma diferença importante entre estar só e sentir-se só.


Podemos estar em uma casa silenciosa, passar algumas horas sem conversar com ninguém e experimentar tranquilidade. Da mesma forma, podemos estar em uma festa, em um relacionamento ou cercados de amigos e sentir que ninguém realmente nos alcança.


A solidão, nesse sentido, pode aparecer quando existe uma distância entre aquilo que vivemos e a possibilidade de compartilhar essa experiência com alguém.


Já a solitude diz respeito a uma experiência diferente: a possibilidade de estar consigo mesmo sem que isso seja necessariamente vivido como falta.


Na solitude, estar só pode ser uma escolha — ou simplesmente uma condição que conseguimos habitar sem precisar imediatamente preenchê-la.


É o café tomado sozinho.

O passeio sem companhia.

Uma noite em casa sem a necessidade de estar conectado o tempo todo.

Um momento em silêncio em que não precisamos produzir, responder ou corresponder às expectativas de ninguém.


Mas solitude não significa isolamento.


Poder estar consigo também depende, muitas vezes, da possibilidade de estar com o outro. Afinal, somos seres constituídos nas relações. O encontro com outras pessoas faz parte da nossa existência, assim como a experiência de nos percebermos como alguém singular.


Por isso, talvez a questão não seja simplesmente “você gosta ou não de ficar sozinho?”


Talvez seja mais interessante perguntar:

O que acontece com você quando está sozinho?


O silêncio traz descanso ou angústia?

Você escolhe alguns momentos de afastamento ou sente que está se afastando de todos?

Quando está sozinho, consegue se perceber ou precisa imediatamente preencher o espaço com trabalho, redes sociais, mensagens, televisão, comida ou qualquer outra coisa?


E, principalmente:

estar sozinho é uma escolha possível ou algo que você sente que precisa suportar?


Não existe uma quantidade ideal de tempo para estar acompanhado ou sozinho. Cada pessoa constrói uma relação particular com essas experiências ao longo da vida.


Às vezes, precisamos do outro.

Às vezes, precisamos de nós mesmos.


E, em muitos momentos, precisamos justamente encontrar uma maneira de transitar entre essas duas experiências.


Porque aprender a estar consigo não significa deixar de precisar dos outros.


E reconhecer a própria solidão não significa que há algo errado com você.


Talvez seja apenas uma experiência pedindo para ser escutada.


Você tem conseguido estar consigo ou tem precisado fugir do silêncio?


Um abraço,


Priscila Ramos

Psicóloga Clínica

 
 
 

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